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Mund
A primeira vez que a vi, esqueci. A segunda, trocamos nossos e-mails. Eu, logo chegando no meu micro, enviei um lindo poema. A terceira vez que a vi, ela passeava linda e faceira nas alamedas floridas da minha imaginação. Eu abria a janela e mandava para ela tudo do bom e do melhor que havia dentro do meu coração. Em troca, recebi um balde de água gelada. E que balde! Ainda bem que não foi cara a cara, chegou pelo correio-eletrônico, mais suportável. Veio em forma de um texto pequeno, dirigido a mim, no qual ela repetia, por dezoito vezes, a palavra amigo[1] . Nunca esta palavra me pareceu tão sem graça. Depois deste trágico incidente, acima narrado, tomei uma sábia providência: tudo que disséssemos via e-mail não poderíamos comentar pessoalmente, ou por qualquer outro meio de comunicação. Outra decisão tomada: daquele dia em diante estava proibida a palavra amigo (nos e-mails, é claro). Perdi a namorada (se é que a gente perde alguma coisa que nunca chegou a ter) mas ganhei a minha primeira @miga! A @mizade é muito rápida, velocíssima, instantânea! É uma outra forma de contato, a qual ainda não estamos muito bem acostumados. E permite-nos expressar facetas do nosso ser, que se não fosse esta janela, ficariam totalmente encobertas. A regra de só responder e comentar e-mail, via e-mail, faz com que esta nova janela seja vista como uma fonte de novas formas de relacionamento. Outro dia um @migo psicólogo, que não encontrava há décadas, mandou-me um e-mail cujo texto era uma reflexão pessoal sobre a legitimidade dos sentimentos humanos. O e-mail termina com a seguinte expressão: “botei-o como um ovo”. Tenho certeza que se não fosse esta janela, este ovo não iria ser botado. Prezado @migo, querida @miga, até breve, estou fechando a minha janela. Convido-o (a) para um chá, ou quem sabe, um chat? © Professor Guilherme Assis de Almeida, é advogado, doutorando em Filosofia do Direito pela USP e Professor Universitário.
Juro que tive a pachorra de contar....
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