NOVO MILÊNIO NOVO DE NOVO
“Toda repetição deve autorizar uma experiência completamente nova”. (John Cage)
2001, Século XXI, Terceiro Milênio! Tudo nos leva a crer que entramos num novo tempo. Mas afinal, o que é o novo?!
Seguindo o raciocínio de John Cage, é a repetição que oferece ao novo a possibilidade de manifestar-se. Mas não é a repetição o retorno do velho, do já visto, do sempre igual? Paradoxal...
No fundo, é desta forma que o tempo caminha. Todo final de ano, a mesma coisa: festa de reveillon, queima de fogos de artifício em Copacabana, homenagem a Iemanjá nos mares do Brasil. E, anualmente, os números do tempo mudam: 1998, 1999, 2000, 2001. Assim, há milhares de anos.... A mutação e a permanência. E o novo, o bendito novo, onde é que ele reside?
O novo não é uma propriedade da matéria, mas uma qualidade da consciência. Portanto, ele não reside em lugar algum, mas habita as consciências receptivas. Isto significa dizer que o novo é imaterial, não é o objeto que carrega consigo a novidade, mas o olhar de crescente consciência que percebe a diferença no novo e sempre antigo mundo material.
O clima novidadoso deste começo de século XXI propicia esta reflexão sobre o novo. Além de tudo que acima foi dito, é preciso saber que o novo nasce pequeno, quase imperceptível, uma faísca de consciência no nosso mundo interior. Devemos estar alertas para lhe dar acolhida logo nos seus primórdios, e propiciar seu crescimento através de nossa atenção e nosso amor. A autotransformação é, por excelência, o destino humano.
© Prof. Dr. Guilherme Assis de Almeida
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