NATALIDADE
Eu nasci. Os ingleses dizem: “I was born” (fui nascido – voz passiva). E, em português: nascer – voz ativa ou passiva. Talvez nenhuma delas; uma outra voz: “média”.
Há coisas que fazemos que, decididamente, não somos o protagonista, somos levados a... como nascer.
A natalidade é um dos princípios a nortear a era virtual[1]. Ela aponta para o futuro, algo pequeno, frágil (ainda), mas, que carrega no seu bojo uma incomensurável energia de crescimento. A nós, cabe saber cultivá-la. Cortázar diria: as esperanças são sedentárias precisamos ir atrás delas[2].
Nossa janela universo está aberta para o inédito. Um novo comércio, uma forma diferente de aprender, outros encontros. Tudo nascendo, brotando. E nós aqui, assistindo, interagindo, vivendo. O novo surgindo inunda-nos de alegria. Isso acontece porque ele ainda não possui forma, existe, apenas, esperança pura, concepção sem decepção. Nosso êxtase é integral nada o macula.
Como o Natal, Cristo surge no mundo como promessa, trocamos presentes, anunciando a boa nova.
Repararam que Natal enfeitado? Será porque é o último do século, do milênio? Não sei... Rezo para que nos lembremos que a promessa de renovação a todos nós imanente, essa é sim, o verdadeiro presente: nasçamos.
[1] Os outros princípios são: dependência, solidariedade e nãoviolência.
[2] Histórias de Cronópios e de Famas.
© Prof. Dr. Guilherme Assis de Almeida
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